quinta-feira, 17 de março de 2011

DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM

DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM

A aprendizagem é um processo vincular e complexo que se realiza no indivíduo e se manifesta em mudanças de seu comportamento. Para que a dificuldade de aprendizagem seja reconhecida em uma criança, deve-se ter claro o entendimento do que é a aprendizagem e quais os fatores que nela interferem.

O distúrbio de aprendizagem envolve déficits em várias áreas, causando perturbações emocionais, dificuldades de relacionamento e contribuindo para reações dos indivíduos em certos estímulos, manifestadas com etiologias diversas, sintomas emaranhados e diferentes diagnósticos. Freqüentemente, as dificuldades de aprendizagem, são acompanhadas de déficits em habilidades sociais e problemas emocionais ou de comportamento, podendo ser verificado, tanto em critérios de identificação das dificuldades de aprendizagem como em abordagens genéricas do insucesso escolar (Kavale; Forness; Hinshaw apud SANTOS; MARTURANO,1999).

A dificuldade de aprendizagem é um termo que se refere a dificuldades na aquisição e no uso da audição, fala, leitura, escrita, raciocínio ou habilidades matemáticas. A proposta do National Joint Committe on Learning Disabilities é que a dificuldade de aprendizagem seja entendida como transtorno que ocorre na aprendizagem escolar, podendo se manifestar na aquisição da leitura, escrita ou aritmética (Fonseca apud DIAS et.al., 2004). Algumas das causas dessas dificuldades são: físicas, sensoriais, neurológicas, cognitivas, sócio-econômicas e emocionais, sendo esta última uma das principais causas que podem dificultar a aprendizagem e refletir diretamente no comportamento.

Entende-se que uma criança com dificuldades de aprendizagem, apresenta irregularidade de comportamento quando comparada ao grupo etário a que pertence. Conforme Stevanato (2003), as crianças com dificuldades de aprendizagem e de comportamento são descritas como menos envolvidas com as tarefas escolares que os seus colegas sem dificuldades Equivale dizer, ainda, que crianças com queixas de dificuldade de aprendizagem, quando comparadas às crianças com bom desempenho escolar, apresentam diferenças significativas quanto à produção: comportamento, capacidade de organização, atenção, iniciativa, decisão, comunicação e interação espontânea; e quanto à percepção, baixo senso de auto-eficácia (MEDEIROS et. al, 2003).

Segundo Schunk (apud MEDEIROS et. al.,2000), existem quatro principais formas de influência sobre o desenvolvimento da auto-eficácia: a) experiências significativas, cujos resultados levam ao sucesso ou ao fracasso, o que aumenta ou diminui o senso de auto-eficácia; b) experiências através do outro, como observações sociais e avaliação do desempenho dos outros; c) persuasão social, ou seja, avaliações recebidas dos outros; e d) os estados psicológicos associados a emoções positivas ou negativas que influenciam na maneira como as situações são percebidas. A partir disso, entende-se que o rebaixamento da auto-eficácia influenciará diretamente no autojulgamento da criança quanto à capacidade de desempenho em atividades específicas, na escolha de atividades, na motivação e na quantidade de esforço investido por ela em suas tarefas. Assim, a criança poderá abandonar essas tarefas, caso se sinta ineficiente para realizá-las.

Os conceitos de sucesso e de fracasso são, na maioria das vezes, aprendidos na escola, pois é nesse ambiente que a competência da criança é avaliada pelos adultos e por ela mesma. O sucesso aumenta a auto-estima, proporciona novas experiências e influencia todas as atividades que a pessoa pratica, na forma como vê o mundo e na sua própria auto-avaliação. Já o fracasso paralisa, gera frustração e o crescimento fica estagnado. As dificuldades comportamentais e emocionais influenciam problemas acadêmicos e estes afetam os sentimentos e comportamentos da criança.

O que preocupa é que, além das crianças se auto-avaliarem, a escola também as avalia, tendendo a enfatizar as comparações sociais com base no rendimento escolar. Neste sentido, Renick e Harter (apud OKANO et al, 2004) relataram que o processo de comparação social é de grande importância na formação da autopercepção dos estudantes com dificuldades de aprendizagem no que se refere à competência acadêmica. Desse modo, a experiência escolar tem um papel crucial na formação das autopercepções das crianças. Por isso, crianças com dificuldades de aprendizagem podem apresentam um autoconceito negativo, apenas no domínio acadêmico, classificando-se como menos competentes frente às habilidades escolares, não diferindo das crianças sem dificuldades de aprendizagem em outros contextos.

Os déficits específicos da dificuldade demonstram a base de conhecimentos empobrecida na criança. Essas dificuldades, por sua vez, levam a déficits estratégicos na motivação e no esforço para a aprendizagem, como também, ao aumento da percepção de inadequação e baixa auto-estima na criança (Gerber apud BERNARDES DA ROSA et al, 2000). Com isso, ao fracassar na escola, o aluno tende a pensar que fracassará em tudo na vida. O mau-desempenho deste, aumenta a ansiedade já existente e interfere no seu autoconceito, ou seja, na imagem que ela possui de si mesmo e passa para os outros, e em quem acredita que é. Portanto, a incompetência pessoal, sentimentos de vergonha, baixa auto-estima e de autoconfiança podem conduzir à falta de motivação, afastamento das demandas de aprendizagem, crises de ansiedades e estresse, caracterizando problemas emocionais. Já os sentimentos de frustração, inferioridade, raiva e agressividade diante do fracasso escolar podem resultar em problemas comportamentais, tais como resistência em ir à escola, conduta mais agressiva, dificuldade de atenção e concentração e etc. (Roeser; Eccles apud STEVANATO, 2003).

As crianças que apresentam dificuldades comportamentais, além de dificuldades de aprendizagem, podem apresentar um autoconceito mais negativo que aquele que apresentam apenas dificuldades de aprendizagem. Esse conceito mais negativo aparece pelo fato de essas crianças receberem uma desmotivação do ambiente, não só em relação ao contexto acadêmico, mas também em relação ao contexto social. Sendo assim, a experiência escolar tem um papel fundamental na formação das autopercepções das crianças. Neste sentido, crianças com dificuldades de aprendizagem apresentam um risco elevado de terem um autoconceito negativo, particularmente quanto à área acadêmica (Elbaum; Vaughn apud STEVANATO, 2003) . As dificuldades comportamentais e emocionais, por sua vez, influenciam problemas acadêmicos, e estes afetam os sentimentos e comportamentos da criança. Quanto maior se torna a expectativa e valorização da escola pelos pais, mais penalizada fica a auto-estima das crianças, numa situação de insucesso escolar.

O mau desempenho aumenta a ansiedade já existente na criança, causando prejuízos familiares. Além disso, os pais podem se sentir envergonhados e incompetentes, muitas vezes manejando erroneamente a educação dos filhos. Marturano et.al. (apud PARREIRA, MARTURANO, 1996) encontraram indícios de enfrentamento inadequado de situações cotidianas (hostilidade, resistência e normas) e relações deterioradas entre a criança e seu ambiente, sugestivo de tensões familiares. Contudo, é importante considerar a função que essa criança desempenha na família, como lida com a ansiedade e como recebe as mensagens envoltas nos discursos de sua família.

Por fim, ressalta-se que diante da necessidade de aprender, há uma dificuldade em aprender, o que está diretamente associado a sentimentos de incapacidade, angústias, baixa auto-estima e baixo senso de auto-eficácia, refletindo diretamente nas autopercepções, autojulgamentos da criança. Embora não se tenha uma idéia relevante e clara sobre a natureza das dificuldades de aprendizagem, não se pode desconsiderar os problemas emocionais e comportamentais envolvidos nessa situação. Esses problemas relacionados a aprendizagem, não podem ser devidamente entendidos somente sob a perspectiva daquela criança que não aprende e tem dificuldades, mas também, a partir de outros contextos, como por exemplo, escola, família, e ao grupo etário a que pertence.


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

CÂNCER E DEPRESSÃO

Por : Silvia Damini

Sabe-se que as exigências sociais e psicológicas estão, cada vez mais, associadas ao desenvolvimento do câncer. Dois principais fatores podem estar relacionados a um risco aumentado do câncer: primeiramente, a perda de uma relação importante (frequentemente pai, mãe, filho ou cônjuge) e, em segundo, uma grande inabilidade em expressar sentimentos (hostis, irritáveis, etc.) ou uma liberação inadequada da emoção.

Entre esses sentimentos de perda de relações, o luto parece desempenhar papel preponderante. Publicações estabelecem relações entre sentimentos de perda, vergonha, desesperança ao surgimento de linfomas, leucemia e outros tipos de câncer. Sentimentos tais como a perda de uma relação significativa, a incapacidade de expressar sentimentos hostis, uma importante tensão em relação a uma figura parental, sentimentos de desamparo e de desesperança, frequentemente, se associam ao surgimento do câncer.

Os fatores psicossociais de risco no desenvolvimento do câncer, segundo alguns autores, distinguem-se em indiretos e diretos: os Fatores Indiretos (psíquicos) são definidos como as atitudes psicossociais da pessoa que conduzem à probabilidade de câncer aumentada, dependendo pois, dos traços de sua personalidade e da maneira de reagir à vida, relativamente independente dos estressores do cotidiano. Já os Fatores Diretos (sociais) seriam os estressores psicossociais propriamente ditos, que induzem as reações psicológicas que podem conduzir aos transtornos físico-imunológicos do organismo.

Uma das principais investigações em relação aos fatores de risco psicossocial na mortalidade por câncer, foi realizado por Grossarth et al.(1985). Ele procurou corroborar um estudo anterior de Kissen (1963). Esse autor postulou que os pacientes com câncer de pulmão apresentavam uma típica tendência a suprimir suas emoções e seus conflitos. Por causa disto eles teriam uma saída muito dificultada para a descarga emocional.

Na trajetória do câncer, a ansiedade se manifesta precocemente, mesmo durante os diversos momentos do diagnóstico. Depois, continua durante o tratamento e pós-tratamento. Sabe-se, que a ansiedade pode comprometer significativamente o sucesso do tratamento. Portanto, atender às questões emocionais do paciente corresponde a melhorar substancialmente o tratamento clínico.

Os pacientes podem começar a experimentar ansiedade moderada ou severa, enquanto esperam os resultados dos exames de diagnóstico. Para os pacientes que estão recebendo o tratamento, a ansiedade também pode aumentar a possibilidade de sofrer mais dor, bem como uma série de outros sintomas, desde a angústia e depressão, até as incoercíveis náuseas e vômitos agravados pelas emoções.

Tem-se demonstrado que a ansiedade independentemente de seu grau, pode reduzir substancialmente a qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias, podendo ainda favorecer a morte prematura. Assim sendo, a atenção terapêutica da ansiedade é umas das medidas fundamentais durante o tratamento do câncer.

A ansiedade, como atitude psico-fisiológica, pode ser parte da adaptação normal da pessoal à sua doença. Na maioria dos casos, as reações de ansiedade mais intensas são limitadas no tempo (circunstancias) e acabam sendo até benéficas, no sentido de motivar pacientes e familiares a procurar medidas de alívio, como por exemplo, obter mais informações sobre os benefícios do tratamento, novas atitudes diante da vida, etc. Entretanto, as reações de ansiedade que se prolongam por muito tempo ou são muito intensas podem comprometer a adaptação. Nesses casos, elas se classificam como Transtornos de Ajustamento.

Estes transtornos podem comprometer a qualidade de vida e dificultar a capacidade de funcionamento social e emocional do paciente com câncer. Nessa fase, a ansiedade requer intervenção terapêutica. Os pacientes com câncer podem manifestar alguns outros transtornos de ansiedade, como por exemplo: Transtorno de Ajustamento; Transtorno de Pânico, Transtorno fóbico-ansioso. Transtorno Obsessivo-complusivo, Transtorno de Estresse Pós-traumático, Transtorno de Ansiedade Generalizada.

Outra atitude importante no cuidado de paciente com câncer é, exatamente, saber reconhecer quando eles necessitam de tratamento para depressão. Basicamente, todos os pacientes com câncer sentem tristeza e pesar de forma periódica durante alguma fase de sua doença, seja no diagnóstico, durante o tratamento e/ou depois dele. Inicialmente, quando se comunica ao paciente que ele tem câncer, a primeira reação emocional é de descrença, rejeição ou desespero. Nessa fase ele pode ter problemas de insônia, perder o apetite, sentir-se angustiado e estar preocupado com o futuro. Esses sintomas podem diminuir conforme, a pessoa vai se acostumando com o diagnóstico.

Um dos sinais importantes de que a pessoa tem melhor aceitação de sua doença é a manutenção de sua capacidade para continuar participando das atividades diárias e sua habilidade para continuar cumprindo o seu papel social, de cônjuge, pai, mãe, funcionário, etc, incorporando as sessões de tratamento em seu esquema de vida cotidiano. As pessoas que demoram muito em aceitar o diagnóstico e que perdem o interesse em suas atividades diárias podem estar sofrendo de depressão.

Uma preocupação importante é em relação aos pacientes que não demonstram sintomas óbvios e típicos de depressão. Esses terão uma serie de manifestações emocionais patológicas não só extremamente molestas, como também, capazes de inferir negativamente na evolução do tratamento.

Tanto os indivíduos como os familiares que enfrentam um diagnóstico de câncer experimentam diversos níveis de estresse e de perturbação emocional. O medo da morte, alteração dos planos de vida, mudanças na imagem corporal, abalo na auto-estima, mudança na situação social e no estilo de vida, assim como preocupações econômicas e ocupacionais são assuntos importantes na vida de qualquer pessoa com câncer.

Existem muito mitos sobre o câncer e de maneira como as pessoas o enfrentam. Alguns desses mitos seriam, por exemplo: todas as pessoas com câncer estão deprimidas; a depressão numa pessoa com câncer é normal; os tratamentos antidepressivos não ajudam a depressão no câncer. A psicoterapia de apoio é um tratamento eficaz para recupera a auto-estima e ameniza o sofrimento de pacientes com câncer submetidos à cirurgia. Além de trabalhar os fatores psicológicos, a psicoterapia de apoio contribui para esclarecer dúvidas e quebrar alguns mitos e estigmas que envolvem a doença. Em geral, o paciente quer saber quais são as chances de cura e os riscos que a cirurgia oferece. É um tratamento emergencial, que ajuda a combater o medo e a angústia antes e depois da operação.


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

ESTABELECENDO LIMITES

ESTABELECENDO LIMITES

Por: Silvia Damini

A educação de uma criança é algo desafiador. Constitui-se em uma teoria muito difícil e complexa, pois é necessário atravessar algumas fases críticas do desenvolvimento. As mesmas normas ou os mesmos comportamentos não servem para todas. Cada uma tem a sua realidade, sua personalidade e sua individualidade.

O afeto é essencial na educação dos filhos, mas é preciso que os limites façam parte dessa realidade. Sabe-se que tratar afetuosamente os filhos, com base na confiança, respeito e diálogo é uma das melhores maneiras de corrigir seus erros. Estabelecer limites pode não ser tarefa fácil, mas é através deles que é ensinado à criança o respeito, a compreensão, a tolerância, enfim, regras que permitirão uma boa convivência com as pessoas.

As regras dever ser claras, objetivas e coerentes. Uma criança agirá de forma disciplinada quando está bem consigo mesmo, quando sua maneira de ser é respeitada, quando seus limites são esclarecidos, clara e firmemente, e quando seu bom comportamento é reconhecido.

O mau comportamento pode estar indicando a maneira encontrada pela criança de enfrentar as situações e o mundo como pode, por não saber o que os outros esperam dela, ou simplesmente para conseguir tudo o que desejam. Pode estar representando, também, uma forma de pedir ajuda ao adulto e de que eles estabeleçam normas. Muitas vezes, os pais satisfazem os filhos em todas as suas vontades para evitar conflitos e sofrimentos, porém acabam por prejudicar o desenvolvimento da capacidade de enfrentar dificuldades e suportar frustrações.

Segundo T. Berry Brazelton e Joshua D. Sparrow, é necessário estabelecer limites para que os filhos se sintam seguros. Acrescentam, ainda, que a disciplina é o segundo maior presente que os pais podem dar aos seus filhos. O amor, obviamente é o primeiro.

Os limites se fazem necessários para que a criança se sinta amada e segura. Não estabelecê-los equivale a deixá-la sozinha no mundo, sem rumo e indefesa. Os limites demarcam e estabelecem as normas de cada família, além de definir direitos e deveres. Oferecem à criança a oportunidade de distinguir o que é certo e o que é errado, revelam os valores dos pais e mostram o que eles esperam dos filhos.

Com a falta de tempo dos pais, os filhos iniciam desde cedo a inversão de valores, e aprendem o que deveriam aprender através dos pais, com a televisão, colegas, revistas e de muitas outras fontes não confiáveis. Muito se confunde o conceito de autoridade como algo construído sem respeito, sem integridade. Ao contrário do que se pensa, a autoridade é firmeza e persistência nas palavras. Sabe-se que é mais difícil para a criança conviver com a falta do “não” do que com a sua presença.

Torna-se fundamental construir a disciplina com amor. Em geral, os pais hesitam entre ser autoritários e tolerantes. A agressão física e verbal, os castigos muito severos e o autoritarismo não dão resultados positivos. Uma criança educada dessa forma pode acumular raiva e ressentimentos que prejudicam suas relações interpessoais e podem torná-lo um adulto inseguro, temeroso e, muitas vezes, violento.

Da mesma forma, ser totalmente complacente pode levar os filhos a se tornarem adultos dependentes, imaturos, pessoas que não toleram frustrações, que querem resultados imediatos, pouco persistentes na busca de seus objetivos, ou inconstantes em seus relacionamentos. Atitudes estremadas podem prejudicar o desenvolvimento da criança.

Clareza é a chave do sucesso. As crianças precisam de limites no momento que os pedem. Fica mais fácil para aprender e para crescer. Segundo Marcelo Cunha Bueno, a “agressividade infantil” é, muitas vezes, um pedido de socorro. Um pedido pela presença do adulto, um pedido que deve ter começado lá atrás, desde cedo, e que as famílias não souberam ou não quiseram ler. É preciso colocar limites nas ações dos adultos, pois eles são os únicos responsáveis pelas crianças que cuidam.

Portanto, é de fundamental importância encontrar e procurar um ponto de equilíbrio. Lembre-se: seja claro, estabeleça limites, admita o erro, dê o exemplo.




quarta-feira, 24 de novembro de 2010

CASO TURN OVER


Por: Silvia Damini

A XYZ precisa considerar as pessoas que trabalham na organização o recurso mais importante para a realização de suas atividades, independentemente da posição que ocupam. O sucesso da organização depende, cada vez mais, do conhecimento, habilidade, criatividade e motivação de seus colaboradores. E, por sua vez, o sucesso das pessoas depende da oportunidade de aprender e de um ambiente favorável ao pleno desenvolvimento de suas potencialidades. Visto que, a valorização dos colaboradores e dos fatores relacionados ao bem-estar, satisfação e motivação representa um fundamento básico, sugere-se ao RH e aos líderes a necessidade de ampliar o canal de relacionamentos com os colaboradores, a fim de identificar as variáveis que influenciam positiva ou negativamente, o nível de satisfação e motivação, grau de envolvimento e comprometimento com os objetivos e metas organizacionais, para compreender o aumento da taxa de Turn Over (voluntário e/ou involuntário).

Com o Turn Over, não somente as finanças, mas o tempo de RH, DP, dos gerentes e da equipe se esvai, com o entra e sai de funcionários, sem falar na queda de produtividade e lucratividade. O Turn Over, às vezes, faz-se necessário, desde que tenha função estratégica, ou seja, certo grau de rotatividade promove oxigenação na organização, entrando pessoas com gás e visão de mundo atualizado. Então, a primeira medida não é eliminar o Turn Over e sim mantê-lo sob controle.

Para isso, é de fundamental importância criar um diagnóstico que aponte os focos do problema e ter ferramentas para mensurar os processos de Gestão de Pessoas na organização. Utilizar-se da Pesquisa de Clima com o propósito de criar um canal de comunicação direto com os colaboradores, onde possam manifestar opiniões e apontar questões diretamente relacionadas à rotatividade, contribuindo para a melhoria do clima a partir de dados e fatos. Planejar uma eficiente entrevista de desligamento -ferramenta essencial- capaz de apontar os principais motivos do desligamento e identificar problemas que norteiam a organização. Desenvolver uma visão do mercado de trabalho (salários, benefícios, plano de carreira, etc.) e criar diferenciais a partir da realidade da empresa. Também, deve-se conhecer o perfil do profissional que entra e sai da organização. A partir disso, pode-se construir ações estratégicas e focadas na redução do Turn Over. Essas ações começam no R&S, passam pelas etapas de Aculturação, T&D, permanência do individuo no cargo e implante da cultura de transição e recrutamento interno (aumenta motivação). Portanto, torna-se mais produtivo, vantajoso e estratégico para a organização investir tempo e recursos na manutenção das pessoas que já fazem parte de seu quadro. O desafio é reter talentos, buscando na inovação de aspectos motivacionais o ponto fundamental na gestão de RH e de saúde organizacional.

O resultado é o desenvolvimento de melhorias visando um ambiente de trabalho de satisfação e motivação. Uma importante ferramenta gerencial para a tomada de decisões, permitindo análise do ambiente interno para o planejamento estratégico e compromisso constante na melhoria de processos e políticas de RH. Amadurecimento dos gerentes na gestão dos colaboradores, aumento da assertividade no processo de R&S, melhor produtividade e lucratividade, investimento em T&D, remuneração, benefícios e na avaliação de desempenho. Trabalhando a cultura, o clima e a imagem da empresa e do RH de maneira que as pessoas dêem o máximo de suas competências e não sintam vontade de sair de um clima positivo e com alto comprometimento organizacional, aprofundando e fortalecendo vínculos pessoais entre líder e equipe. Os resultados dos negócios são impactados pela qualidade e competência dos líderes em desenvolver e manter pessoas e organizações, fundamentados no alinhamento de valores e princípios, na geração, integração e no compartilhamento do conhecimento e aprendizagem coletiva.