sexta-feira, 1 de outubro de 2010

AGRESSIVIDADE

AGRESSIVIDADE

Por: Silvia Damini

A agressividade é um elemento presente na estrutura e na vivência humana, sendo natural e necessária para a nossa sobrevivência. Segundo Chagas (1999), esta agressividade genuína, de acordo com a psicologia do desenvolvimento, orienta-se no sentido do equilíbrio do organismo com o seu meio, acabando por construir uma aprendizagem constante rumo à socialização e humanização do indivíduo. A maneira de reagir frente à agressividade varia de sociedade e de cultura, pois cada uma tem as suas leis, valores, crenças, etc. Alguns comportamentos agressivos são tolerados, porém, outros são proibidos.

Com base nos estudos de Winnicott (1985), a agressividade representa um instinto próprio a todo ser humano, necessário para a sua existência. É algo vital que o bebê adquire nos seus primeiros meses de vida, em seu contato com o ambiente. O comportamento agressivo faz parte da vida humana, devendo ser encarado como normal.

Freud, inicialmente, considerou a agressão como parte de instinto sexual ou como uma resposta primária à frustração de comportamento, na busca de prazer ou na fuga da dor. Falava em dois conjuntos de instintos: os sexuais e os de autopreservação. Mais tarde, enquadrando conceitos como Sadismo e Autodestruição, modificou sua concepção sobre os instintos, classificando-os em dois grupos: os instintos de vida (instinto sexual e autopreservação) e os instintos de morte (agressão e destruição). No entanto, a posição de Freud é atenuada pela idéia de que a agressão poderia ser canalizada e, sua expressão diminuída e modificada para formas socialmente mais úteis (Bandura apud BIAGGIO, 2005).

Sabe-se que todas as pessoas sofrem pressões do ambiente em que vivem, mas nem todas respondem a esse ambiente com comportamentos agressivos. Algumas não desenvolvem a capacidade de tolerar frustrações, tolerar a falta e suportar coisas que não podem ter na vida, tornando-se mais agressivas no seu dia-a-dia.

Para Laplanche e Pontalis (2004), a agressividade designa uma tendência que se atualiza em comportamentos reais ou fantasísticos que visam prejudicar o outro, destruí-lo, constrangê-lo e humilhá-lo. A agressão conhece outras modalidades além da ação motora violenta e destruidora; não existe comportamento, quer negativo quer positivo, simbólico ou efetivamente concretizado, que não possa funcionar como agressão. Muitas vezes, atos agressivos não significam a verdadeira expressão de raiva, mas sentimentos de mágoa, insegurança, que a pessoa não saber discernir e lidar com eles, expressando-os através de atos agressivos.

Segundo Bandura (apud Biaggio, 2005), a agressão seria mais bem definida como comportamento que resulta em dano pessoal e em destruição de propriedade. Este dano pode ser tanto psicológico (sob forma de desvalorização) tanto quanto físico. Todo o ato que cause dano à integridade psíquica ou física de outrem pode ser considerado como um fator agressivo. Além disso, precisa-se considerar o contexto social. Dentre os fatores que influenciam a agressividade, encontramos o meio ambiente e contexto social no qual a pessoa está inserida. Acredita-se que a agressividade provém apenas de força interna, que é algo inerente ao indivíduo. Sabe-se, porém, que o ambiente também exerce grande influência para que ela possa se desenvolver.

Existem diferentes maneiras de ser agressivo. A pessoa agressiva pode utilizar-se de forças e energias procurando apropriar-se de outra pessoa ou de um objeto. Por exemplo, a criança que arranca da outra um brinquedo está cometendo uma ação agressiva. Outra maneira consiste na tentativa de se impor diante dos outros, e ocupar, em relação a eles, uma situação de superioridade, que os coloca em estado de subordinação e os conduz a obediência (COLLETTE, 1978). A agressividade em geral, remete-se a comportamentos tais como: ataques de hostilidade e destruição, ou a perda de controle, exercendo ações violentas e ameaçadoras contra as pessoas que criam obstáculos, que o impeçam de satisfazer seus desejos.

Para Freud (apud COLLETTE, 1978), a agressividade faz parte desse processo constante de defesa do indivíduo contra os perigos do mundo exterior. Por isso, é que existe certa identidade entre as tendências destrutivas e agressivas do indivíduo e os instintos do Ego, cujo principal objetivo é protegê-lo. As tendências agressivas, porém, dirigem-se contra o Ego e contra o mundo exterior, ao mesmo tempo: podem, pois, tomar direção masoquista ou sádica.

O mesmo autor continua dizendo, que num comportamento agressivo o indivíduo, geralmente, é impelido por uma ou outra de duas grandes motivações fundamentais ligadas às pulsões: a busca do prazer - recordando que o prazer é o resultado da satisfação de uma necessidade qualquer. O indivíduo impelido por uma necessidade procura saciá-la. Deverá conquistar, afirmar-se, apropriar-se daquilo que lhe interessa, ou do que deseja, eventualmente, arrancá-lo dos outros, ou com eles disputar, combater e vencer para poder satisfazer a necessidade.

À medida que as crianças se desenvolvem, seus padrões de comportamento agressivo mudam. Crianças de dois e três anos, freqüentemente, brigam e discutem pela posse de brinquedos ou outros objetos que desejam. Quando atingem idade para entrar no primeiro grau, as atitudes agressivas se tornam menos freqüentes, porém mais hostis. A agressividade verbal, tal como provocar ou xingar, aumenta durante a pré-escola e os primeiros anos do primeiro grau. Como as crianças mais velhas têm mais capacidade para entender as intenções de outras pessoas, grande parte de sua agressividade, tanto física como verbal é retaliatória, consistindo em respostas à frustração ou ataques feitos pelos outros (HARTUP, apud MUSSEN et. al. 2001).

A agressividade pode variar de acordo com o crescimento do indivíduo e da sua idade. Contudo, na realidade, existem respostas peculiares a cada idade. Segundo Collette (1978), a agressividade infantil inicialmente, é oral. A criança morde, cospe, vomita no decorrer do primeiro ano. Quando cresce, grita, berra, resmunga. Como a linguagem, aparece a agressividade verbal, sob forma muito direta e muito grosseira: blasfemar, injuriar, dizer palavras proibidas. As reações físicas diretas, também, ocupam posição importante nos primeiros anos da infância e irão diminuindo a seguir, na maior parte dos indivíduos: dar golpes, quebrar, desmontar, destruir, cortar, unhar, rasgar, etc.

Diferenças sexuais na agressividade são evidentes a partir de dois ou três anos. Na escola maternal, os meninos instigam a agressividade – tanto verbal como física – mais freqüentemente do que as meninas e têm mais probabilidade de revidar a agressividade que sofreram. Os meninos também são alvos mais freqüentes de agressividade. As diferenças sexuais no comportamento agressivo são encontradas em todas as classes sociais, culturas e em quase todas as idades, embora as diferenças sejam mais marcantes durante a puberdade e o início da fase adulta (CAIRNS, apud MUSSEN, 2001). Nota-se que as experiências sociais em meninos e meninas com relação à agressividade são muito diferentes. O comportamento agressivo está mais relacionado ao sexo masculino dentro da nossa cultura; é esperado e muitas vezes encorajado de maneira implícita nos meninos.

Na medida em que a criança avança em idade, as reações orais tendem a ser mais controladas. As expressões físicas mais reprimidas, limitam-se a gestos de raiva. Progressivamente, essas reações serão substituídas por condutas como negativismo, resistência, desafio e a desobediência. Aparece, também, calúnia, tentativas de desacreditar o adversário, acusação, rivalidade e a competição sob formas de ciúme, inveja, ressentimento, rejeição do grupo e o isolamento. Quanto mais o individuo se aproxima da idade adulta, as expressões da agressividade tendem a se encaminhar por vias indiretas, mais sutis, menos sujeitos à repressão (COLLETE, 1978). O adulto, na sua vivência, conservará muito dessas expressões sob formas mais controladas, postergadas e não as satisfazendo por vias de descarga direta.

Na criança a eliminação da agressividade pode ser feita através de brinquedos, das atividades simbólicas, dos exercícios físicos violentos e das expressões gráficas ou verbais. O adulto experimenta maior dificuldade de encontrar vias de liquidação. Todas elas são, em geral, indiretas: esporte, exercícios, conversas confidencias, ironia, zombaria, vinganças verbais, reclamações etc (COLLETTE, 1978).

Percebe-se que as influências biológicas interagem com as experiências sociais. As condições no ambiente da criança podem servir tanto para facilitar como para restringir a expressão de tendências biológicas. Entre essas condições, a mais importante é a influência da família (Parke & Slaby, apud MUSSEN et. al. 2001). A família influi através do vínculo, ou seja, das interações entre seus membros, e do modelo educacional do qual fazem parte. A televisão, os videogames, a escola e a situação sócio-econômica podem ser os elementos ambientais relacionados à conduta agressiva. Tanto os fatores individuais, familiares e ambientais são de grande influência, mas não atingem todas as pessoas da mesma e nem submete todos à mesma situação de risco.

A conduta agressiva entre as crianças pré-escolares e escolares é influenciada por fatores individuais, familiares e ambientais. Entre os fatores individuais encontramos a questão do temperamento, do sexo, da condição biológica e da condição cognitiva. Os atos agressivos, também, podem ser aprendidos por meio da observação de modelos agressivos. Crianças que sofrem e convivem num ambiente de agressão tendem a ser mais agressivas do que aquelas que têm modelos menos agressivos na sua convivência. Se uma criança encontra-se agressiva, a possibilidade é que esteja sendo influenciada pelo cotidiano familiar e, também, por outros fatores externos como a televisão, amizades entre outros.

Tanto a rejeição paterna como a permissividade levam a altos níveis de agressividade nas crianças. Ao rejeitar seus filhos, os pais “... podem ignorar as expressões da criança de desconforto e frustrar suas necessidades de afeto. Também, a não-aceitação, provavelmente, significa que os pais são uma fonte pobre de reforço positivo ou de recompensas, resultando em ineficiência ao ensinar a criança a se conter, seja quanto ao controle da agressividade ou de qualquer outro comportamento não-aceito socialmente” (MARTIN apud MUSSEN, 2001 p.424).

Ainda, conforme Mussen (2001), se os pais são permissivos e aceitam tudo nos primeiros anos não conseguindo estabelecer limites claros sobre a agressividade, as respostas agressivas da criança se tornam fortes e persistentes. As crianças de ambos os sexos, que não se identificam com os pais, tendem a expressar mais agressividade do que aquelas com forte identificação com os pais. A inconsistência na forma de colocar limites está presente nas situações onde os pais são permissivos demais, deixando que a criança faça tudo o que deseja, e em outras ocasiões são autoritários, punitivos e inflexíveis em excesso. Com isso, as crianças ficam confusas sobre o que pode ou não fazer, tornando-se difícil para ela distinguir o certo do errado.

A punição física especialmente se usada de maneira freqüente, imprevisível e inconsciente, pode resultar em níveis altos e duradouros de agressividade e hostilidade. Os efeitos da punição variam com o nível geral de agressividade da criança. As crianças, relativamente, não-agressivas estão sujeitas a suprir suas respostas hostis se forem punidas, mas as crianças altamente agressivas que são punidas persistirão ou mesmo aumentarão seu comportamento agressivo (MUSSEN et.al. 2001).

Um ambiente familiar cujas bases são a punição, remetem a uma total ausência de afeto, torna-se um ambiente hostil. De acordo com Mussen (2001), as interações familiares, freqüentemente, assumem a forma de um padrão de coerção que aumenta gradualmente, e que serve para manter e aumentar a agressividade na família. Quando uma criança é hostil, outros membros da família provavelmente farão algo que aumenta a probabilidade de novas agressões. Um padrão semelhante de aumento gradual pode se desenvolver entre pais e filhos – o filho reage desafiando e os pais fazem ameaças mais fortes e o punem mais severamente. As crianças agressivas, em geral, não reagem à desaprovação social e não é provável que reajam a uma disciplina verbal moderada.

Nos casos em que os pais reprimem constantemente a agressividade da criança ,através de controle rígido de comportamento e castigo, ataques à sua auto-estima, resulta o aparecimento de indivíduos inseguros, tímidos, introspectivos e que canalizam para o próprio corpo a hostilidade do ambiente. A agressividade que deveria orientar a criança na sua relação com o mundo, promove uma descarga emocional cujos efeitos refletem na vida adulta. Para que as crianças apresentem uma forma legítima, natural e saudável de agressividade (aquela que é socialmente reconhecida), é necessário que os pais sejam tolerantes com seus filhos, privilegiando, nesta relação, a construção, o estabelecimento e a interiorização de regras e limites, num exercício contínuo de respeito (CHAGAS, 1999).

Contudo, a agressividade é entendida como sendo apenas um impulso destrutivo, tendo toda uma conotação negativa. Porém, é uma energia a qual pode ser dirigida de forma negativa ou positiva, sendo esta última a força empreendedora para a vida e para o trabalho, enquanto a primeira tem cunho mais primário e instintual. O nível de agressividade varia de pessoa para pessoa, de acordo com o ambiente no qual está inserida, sua cultura e através dos modelos familiares.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

ADOLESCÊNCIA: PAIS X FILHOS


ADOLESCÊNCIA: PAIS X FILHOS


Por: Silvia Damini

A adolescência é uma importante fase evolutiva na vida do ser humano. É um período de transformações radicais e profundas, na busca de uma nova forma de si e do mundo. Ocorre uma reedição do desenvolvimento infantil visando definir o caráter social, sexual, ideológico e vocacional.

Esse processo ocorre dentro de um tempo individual, ou seja, para uns começa mais cedo, para outros mais tarde. Há uma constante oscilação entre a posição do adulto – a qual se apega para reivindicar uma série de concessões – e a de criança, para evitar outras tantas responsabilidades. Portanto, essa fase, torna-se difícil para pais e filhos.

Caracterizada por uma fase intermediária, no ciclo de vida, entre ser criança e ser adulto são comuns comportamentos extremos: euforia ou apatia, dependendo do dia, da hora e da situação. O adolescente, por muitas vezes, tem uma postura exagerada, argumenta com violência, grita, arma confusões, ri, chora e se aborrece quando suas idéias não são compreendidas pelos pais.

Amadurecer é um ato complicado. De um lado está o jovem e do outro os pais receosos com os caminhos e as escolhas de seus filhos. Existe uma barreira que os separa e precisa ser quebrada. Antes de tudo, é preciso fortalecer o vínculo. O jovem deseja sim ter um contato próximo com os pais e saber quais devem ser os seus limites, embora sua atitude seja de quem não admite nenhum limite ou interferência na sua própria atuação.

O adolescente precisa sentir a confiança dos pais, porém essa confiança não significa abandonar o jovem à própria sorte para fazer tudo o que quiser e puder. Ele próprio não deseja isso, pois sabe que não está preparado para decidir sua vida. É importante saber dosar concessões e restrições, como há momentos em que é necessário dar maior liberdade, oferecer oportunidades para que tome decisões, atribuindo-lhes tarefas nas quais possa testar a si próprio. Procurar escutar com sensibilidade e sem preconceitos. A arma ideal é o diálogo. Essa iniciativa ajuda o adolescente a tornar-se mais seguro, menos confuso e mais consciente.

Quando os pais tentam impor suas idéias e não escutam o que os filhos têm a dizer, só faz com que eles se afastem. Para o jovem é importante que a família perceba seu crescimento, porém é indispensável que continue recebendo apoio, carinho, estímulo e correção. Essa fase poderá ser superada com maior ou menor facilidade, dependendo das atitudes dos pais, não só na adolescência, mas antes dela.

Na adolescência há descoberta do mundo exterior e do outro. É a época de definição de sua personalidade, da busca pela independência dos pais, buscando formar sua própria vida. Entra em conflito, na medida em que os pais não o compreendem, destruindo o modelo de perfeição dos mesmos. Surge a fase dos grupos heterossexuais.

No nível físico, caracteriza-se pelo desenvolvimento do corpo e amadurecimento sexual. Sob o ponto de vista psicológico, notam-se características de insegurança e indefinição. Há, também, grande desenvolvimento intelectual. Busca todo tipo de relacionamento humano, convívio social. Começa ter uma visão crítica das coisas, e a enxergar que nem tudo é tão perfeito. Por pequenas coisas muda constantemente de humor, não tem ainda um controle de suas emoções. Por isso consegue ser, muitas vezes, inconveniente sem perceber. Agride por pequenas coisas pais e colegas. Imagina-se por vezes rejeitado, agredido, como a pior pessoa do mundo; outras vezes, incoerentemente, com necessidade de afirmação, acha que é melhor e a mais fantástica pessoa do mundo.

O adolescente necessita ser aceito da maneira que ele é, com todas as suas instabilidades, com todos seus problemas, com essas mudanças de humor. É uma época de incertezas; não sabe o que vai ser que característica física vai ter, que profissão vai seguir e se vai encontrar sua “alma gêmea”. Tudo é muito inseguro para ele. São muitos os problemas que passam por sua cabeça. É muito difícil se decidir, não tem condições mas precisa decidir. Então, muitas vezes, a criança que ainda esta nele, revive e, então, ele tem aquela atitude de irresponsabilidade total. Nem sempre os pais compreendem essa mudança, pois no momento em que o adolescente está com o quarto todo desarrumado, e os pais querem que ele assuma a responsabilidade é dito: “Você não é mais criança”. Porém, no momento em que ele quer se divertir, realizar-se em outro nível, chegar mais tarde em casa, há apelo para outro argumento: “Você ainda é uma criança”.

Isso é um drama sério e vai se criando uma barreira entre pais e filhos. Se ele não encontra apoio na família, tentará encontrar apoio fora do lar, e pode chegar à marginalização. Portanto, é necessário que ele assuma responsabilidade gradativamente. Ele assume quando se sente aceito, quando se confia nele, pois os preceitos básicos, as normas essenciais, a base familiar já foram dadas a ele no decorrer das fases anteriores, estão dentro dele, apenas não os põem em prática. No momento em que passar a sua insatisfação, concretizar sua auto-afirmação, passar pela adolescência, seu comportamento normalizará. Ai ele se tornará o filho que se “espera”.

Bibliografia consultada: “Trocando Idéias” – Maria Helena de Brito Izzo


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O QUE É TRANSTORNO BIPOLAR?


Por: Silvia Damini

O QUE É TRANSTORNO BIPOLAR?

O Transtorno Bipolar é uma doença antiga, o qual era classificado como uma “psicose maníaco-depressiva”. Atualmente, atinge de 3% a 6% da população mundial. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) está entre as dez principais doenças que tornam a pessoa incapaz de trabalhar.

De acordo com o DSM-IV e pelo CID-10, o transtorno bipolar ou distúrbio bipolar é uma forma de transtorno de humor, caracterizado pela variação extrema do humor entre uma fase maníaca ou hipomaníaca, hiperatividade e grande imaginação, e uma fase de depressão, inibição, lentidão para conceber idéias, e ansiedade ou tristeza, intercalando com períodos de normalidade.

É um transtorno cerebral que causa oscilações fora do comum no humor, na energia e na capacidade de funcionamento de uma pessoa. É uma doença genética em sua origem, porém têm características psicológicas em sua vivência. Sofre influência de fatores de estresse e têm importantes conseqüências psicossociais, interpessoais e de diminuição da qualidade de vida. Quase sempre um distúrbio bipolar é detonado por uma situação social ou pessoal crítica, estresse, briga na família, perda de emprego, crises financeiras.

Hoje, “ser bipolar” se transformou num termo popular. Por se tratar de um distúrbio no humor, as pessoas pensam que “isto passa”, imaginam que seja uma indisposição passageira, interpretam como depressão ou até má vontade. Mas, a doença é mais grave do que se pensa e a pessoa sofre muito com ela. Os desequilíbrios provocam uma instabilidade que produz crises entre depressão e euforia, entre alegria e tristeza. Há momentos mais leves e outros mais graves. As crises podem durar semanas ou meses. Portanto, não se deve confundir o Transtorno Bipolar com alterações de humor motivadas por dificuldades cotidianas estressantes, pois estas são momentâneas e tendem a desaparecer quando as dificuldades são resolvidas.

A mudança do comportamento de euforia para a depressão e vice-versa é súbita. Quando a pessoa vive momentos de alegria extrema, ela perde o sentido crítico e, a capacidade de avaliação objetiva das situações fica prejudicada. A pessoa se mostra autoconfiante, inquieta, ansiosa, agressiva, tem sensação de poder e otimismo exagerado. Pode passar a comprar sem limites, abusar de álcool, de drogas, sexo e jogos de azar. Isto tudo porque a pessoa tem um aumento de energia que aquece as atividades físicas, mentais e sexuais.

Quando a pessoa tem crises depressivas passa a ter medo de sair de casa, têm crises de choro, dificuldades para dormir ou para acordar e falta de apetite. Vive apreensiva, aborrecida, isola-se dos amigos, da família e, muitas vezes, pensa em suicídio. A negatividade faz a pessoa sentir culpa, desamparo, indecisão, pessimismo e indiferença.

O conhecimento da doença é fundamental para que a família e a sociedade possam acompanhar o doente com sucesso. A doença é sentida mais em uma fase negativa, por isso normalmente é tratada como depressão. Entretanto, as duas doenças são bem diferentes. A depressão tem cura e tratamento, mas o Transtorno Bipolar é incurável. O desconhecimento e a falta de informação a respeito da doença são elementos de grande complicação para o tratamento correto.

Esse transtorno se manifesta tipicamente no final da adolescência ou inicio da idade adulta. Entretanto, algumas pessoas têm seus primeiros sintomas durante a infância e algumas apresentam mais tardiamente na vida. O diagnóstico é feito com base nos sintomas, na evolução da doença e quando disponível na história familiar.

Sua principal forma de tratamento é uma combinação de medicamentos estabilizadores de humor com psicoterapia. O papel da psicoterapia no tratamento é enorme e indispensável, pois a doença é crônica, e necessita de acompanhamento para a melhoria e manutenção da qualidade de vida.



























domingo, 4 de julho de 2010

PROBLEMAS DE RELACIONAMENTOS: O QUE FAZER?




Por: Silvia Damini

Problemas de relacionamentos: o que fazer?

“Amar é escolher voluntariamente amar ... Se apaixonar é ser escolhido momentaneamente pelo amor”

Atualmente, homens e mulheres têm reclamado dos atuais companheiros ou da falta de alguém bacana para se relacionar. O relacionamento entre as pessoas se dá através da forma como elas se tratam e se comunicam. Portanto, para que o relacionamento seja bom e harmonioso, por vezes, fazem-se necessárias algumas mudanças e certo grau de flexibilidade.

Muitos dos problemas de relacionamentos coexistem por falta de flexibilidade dos parceiros e da dificuldade de comunicação entre ambos, causando julgamentos errôneos baseados em crenças que temos sobre nós mesmos, sobre o outro e sobre o mundo. Os problemas de comunicação, na relação, geram algumas frustrações, desapontamentos, desentendimentos repetitivos e até mesmo um desânimo da vida a dois. Embora, os parceiros acreditem falar a “mesma língua”, a mensagem que procuram passar nem sempre é da maneira como o outro a recebe. Sabe-se que a escuta do outro é influenciada por diversos fatores como, por exemplo, o modo como ele pensa, o modelo de relacionamento que aprendeu ao longo da vida, a forma como vê a si mesmo, seu grau de expectativa, dentre outros. Por esses motivos, muitas vezes ocorrem mal-entendidos, julgamentos e conclusões erradas. No entanto, quando essas questões são resolvidas, o relacionamento ganha força.

Dessa forma, a psicoterapia pode ser um essencial instrumento de ajuda ao indivíduo, fazendo-o pensar de forma mais funcional, sem tantos erros de interpretação e, consequentemente, a ser mais assertivo. Com pensamentos mais claros e uma eficaz comunicação, ocorrem menos desentendimentos, gerando mais prazer e segurança na relação. O diálogo, a abertura à mudança, o afeto geram aproximação do casal, portanto, a terapia pode ser muito útil na solução dos conflitos e recuperação das relações.

O diálogo sempre se faz necessário para a resolução de problemas. Deixar as coisas acontecerem, sem resolução ou sem uma conversa sobre o assunto é um descaso enorme com a própria relação. É preciso respeitar a si mesmo e pensar formas de mudar ou melhorar a situação. Como não se pode mudar o outro, faz-se necessário que essa mudança comece pela própria pessoa.

Como o ser humano é um eterno aprendiz em matéria de relacionamento, existe a necessidade de buscar alguém para compartilhar os mais diversos momentos da vida. Cada relação é única, imprevisível e exige constante evolução, transformação e superação de obstáculos. A simples presença física do parceiro não satisfaz a necessidade e desejo de estar com alguém. É muito mais que isso, é a satisfação pessoal de projeções existente na relação com a pessoa idealizada. Sabe-se, portanto, que as necessidades afetivas se encontram aquém ou além da atração física, pois a escolha do pessoa amada se dá através de influências inconscientes e instintivas.

Na relação amorosa ocorre o encontro de pessoas distintas e únicas, isso porque cada pessoa cresce num ambiente diferente, com estímulos diferentes, tem sua própria história e é singular na forma como vê, sente e reage. Embora em alguns aspectos se pareçam, cada um é essencialmente distinto. Contudo, deve-se ter a despretensão de achar que se conhece e/ou conhece o outro completamente, pois o ser humano vive um constante processo de desenvolvimento e transformação. Saber que a pessoa que amamos precisa ser conhecido o tempo todo, ajuda na compreensão de tantas dificuldades que surgem nos relacionamentos.

Para que uma relação seja satisfatória e estável necessita de investimento afetivo, valorização do outro e dos seus sentimentos, capacidade de compartilhar angústias e anseios, bem como visualização dos conflitos existentes como oportunidade de desenvolvimento pessoal, ou seja, busca constante pelo autoconhecimento. Muitas vezes, o ser humano é levado a agir impulsionado por seu inconsciente, tendo a impressão de que sabe o que faz, mas na verdade há um conhecimento incompleto e insuficiente de si próprio e dos motivos que o fazem agir. Nesse contexto, quando a pessoa está apaixonada, tende a acreditar que encontrou sua “alma gêmea” capaz de satisfazer todas suas aspirações amorosas. No entanto, são projeções inconscientes da própria pessoa na pessoa amada. Isto é, cada indivíduo projeta no outro características de sua própria personalidade, o que determina uma visão irreal do parceiro, ou seja, ele enxerga no outro características que na realidade são suas e não da pessoa com a qual se relaciona. As reais características do parceiro vão estar obscurecidas pelas expectativas e ilusões de sua imaginação.

Com o decorrer do tempo, a projeção sobre a pessoa idealizada começa ser retirada e o outro começa a surgir. Dessa forma, cada parceiro começa a ver o outro de uma forma mais real, identificando elementos que tinham passado despercebido. Essa confrontação origina alguns conflitos que terão influências no relacionamento. Porém, sabe-se que é uma etapa de fundamental importância para a relação, pois determinará a continuidade ou não do relacionamento, de modo mais profundo e maduro. Claro, que não se pode esquecer, que a maturidade psicológica e o autoconhecimento de cada indivíduo também tem grande parcela de contribuição na tomada dessa decisão. Portanto, faz-se necessário se conhecer e, também, dar oportunidade e espaço para que o parceiro se “revele”. Dessa forma, a compreensão da dinâmica do relacionamento, torna-se mais compreensível, pois o ser humano precisa do outro para se conhecer e amadurecer.

Por ser dinâmico, o relacionamento, muitas vezes, pede mudanças, transformações e aprofundamento dos conflitos, demonstrando sinais de esgotamento. A experiência de viver requer que habilidades sejam desenvolvidas na direção da resolução de conflitos, porque estes são inevitáveis. A relação amorosa traz a oportunidade de um aprendizado contínuo, sobre o outro e sobre si mesmo, diante das experiências agradáveis, mas também através dos empecilhos que vão surgindo.

Para enfrentar os problemas e encontrar soluções é necessária muita criatividade. Rompimentos e reconciliações podem fazer parte desse processo e são, em grande parte dos casos, dolorosos. Porém, é preciso lembrar que cada relação é única, da mesma forma que cada indivíduo é único. Desse modo, a relação continuará em construção enquanto cada parceiro sentir que vale a pena investir na mesma.

Portanto, o relacionamento entre duas pessoas que se amam merece o trabalho individual de autoconhecimento, merece que cada um busque em si, em primeiro lugar. Se optarem pelo rompimento, terão uma estrutura interna capaz de superar o sofrimento causado por essas circunstâncias e, não se sentirão paralisados no medo de sofrer e de se entregar para um novo amor, na busca de um encontro feliz e satisfatório.