quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O QUE É TRANSTORNO BIPOLAR?


Por: Silvia Damini

O QUE É TRANSTORNO BIPOLAR?

O Transtorno Bipolar é uma doença antiga, o qual era classificado como uma “psicose maníaco-depressiva”. Atualmente, atinge de 3% a 6% da população mundial. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) está entre as dez principais doenças que tornam a pessoa incapaz de trabalhar.

De acordo com o DSM-IV e pelo CID-10, o transtorno bipolar ou distúrbio bipolar é uma forma de transtorno de humor, caracterizado pela variação extrema do humor entre uma fase maníaca ou hipomaníaca, hiperatividade e grande imaginação, e uma fase de depressão, inibição, lentidão para conceber idéias, e ansiedade ou tristeza, intercalando com períodos de normalidade.

É um transtorno cerebral que causa oscilações fora do comum no humor, na energia e na capacidade de funcionamento de uma pessoa. É uma doença genética em sua origem, porém têm características psicológicas em sua vivência. Sofre influência de fatores de estresse e têm importantes conseqüências psicossociais, interpessoais e de diminuição da qualidade de vida. Quase sempre um distúrbio bipolar é detonado por uma situação social ou pessoal crítica, estresse, briga na família, perda de emprego, crises financeiras.

Hoje, “ser bipolar” se transformou num termo popular. Por se tratar de um distúrbio no humor, as pessoas pensam que “isto passa”, imaginam que seja uma indisposição passageira, interpretam como depressão ou até má vontade. Mas, a doença é mais grave do que se pensa e a pessoa sofre muito com ela. Os desequilíbrios provocam uma instabilidade que produz crises entre depressão e euforia, entre alegria e tristeza. Há momentos mais leves e outros mais graves. As crises podem durar semanas ou meses. Portanto, não se deve confundir o Transtorno Bipolar com alterações de humor motivadas por dificuldades cotidianas estressantes, pois estas são momentâneas e tendem a desaparecer quando as dificuldades são resolvidas.

A mudança do comportamento de euforia para a depressão e vice-versa é súbita. Quando a pessoa vive momentos de alegria extrema, ela perde o sentido crítico e, a capacidade de avaliação objetiva das situações fica prejudicada. A pessoa se mostra autoconfiante, inquieta, ansiosa, agressiva, tem sensação de poder e otimismo exagerado. Pode passar a comprar sem limites, abusar de álcool, de drogas, sexo e jogos de azar. Isto tudo porque a pessoa tem um aumento de energia que aquece as atividades físicas, mentais e sexuais.

Quando a pessoa tem crises depressivas passa a ter medo de sair de casa, têm crises de choro, dificuldades para dormir ou para acordar e falta de apetite. Vive apreensiva, aborrecida, isola-se dos amigos, da família e, muitas vezes, pensa em suicídio. A negatividade faz a pessoa sentir culpa, desamparo, indecisão, pessimismo e indiferença.

O conhecimento da doença é fundamental para que a família e a sociedade possam acompanhar o doente com sucesso. A doença é sentida mais em uma fase negativa, por isso normalmente é tratada como depressão. Entretanto, as duas doenças são bem diferentes. A depressão tem cura e tratamento, mas o Transtorno Bipolar é incurável. O desconhecimento e a falta de informação a respeito da doença são elementos de grande complicação para o tratamento correto.

Esse transtorno se manifesta tipicamente no final da adolescência ou inicio da idade adulta. Entretanto, algumas pessoas têm seus primeiros sintomas durante a infância e algumas apresentam mais tardiamente na vida. O diagnóstico é feito com base nos sintomas, na evolução da doença e quando disponível na história familiar.

Sua principal forma de tratamento é uma combinação de medicamentos estabilizadores de humor com psicoterapia. O papel da psicoterapia no tratamento é enorme e indispensável, pois a doença é crônica, e necessita de acompanhamento para a melhoria e manutenção da qualidade de vida.



























domingo, 4 de julho de 2010

PROBLEMAS DE RELACIONAMENTOS: O QUE FAZER?




Por: Silvia Damini

Problemas de relacionamentos: o que fazer?

“Amar é escolher voluntariamente amar ... Se apaixonar é ser escolhido momentaneamente pelo amor”

Atualmente, homens e mulheres têm reclamado dos atuais companheiros ou da falta de alguém bacana para se relacionar. O relacionamento entre as pessoas se dá através da forma como elas se tratam e se comunicam. Portanto, para que o relacionamento seja bom e harmonioso, por vezes, fazem-se necessárias algumas mudanças e certo grau de flexibilidade.

Muitos dos problemas de relacionamentos coexistem por falta de flexibilidade dos parceiros e da dificuldade de comunicação entre ambos, causando julgamentos errôneos baseados em crenças que temos sobre nós mesmos, sobre o outro e sobre o mundo. Os problemas de comunicação, na relação, geram algumas frustrações, desapontamentos, desentendimentos repetitivos e até mesmo um desânimo da vida a dois. Embora, os parceiros acreditem falar a “mesma língua”, a mensagem que procuram passar nem sempre é da maneira como o outro a recebe. Sabe-se que a escuta do outro é influenciada por diversos fatores como, por exemplo, o modo como ele pensa, o modelo de relacionamento que aprendeu ao longo da vida, a forma como vê a si mesmo, seu grau de expectativa, dentre outros. Por esses motivos, muitas vezes ocorrem mal-entendidos, julgamentos e conclusões erradas. No entanto, quando essas questões são resolvidas, o relacionamento ganha força.

Dessa forma, a psicoterapia pode ser um essencial instrumento de ajuda ao indivíduo, fazendo-o pensar de forma mais funcional, sem tantos erros de interpretação e, consequentemente, a ser mais assertivo. Com pensamentos mais claros e uma eficaz comunicação, ocorrem menos desentendimentos, gerando mais prazer e segurança na relação. O diálogo, a abertura à mudança, o afeto geram aproximação do casal, portanto, a terapia pode ser muito útil na solução dos conflitos e recuperação das relações.

O diálogo sempre se faz necessário para a resolução de problemas. Deixar as coisas acontecerem, sem resolução ou sem uma conversa sobre o assunto é um descaso enorme com a própria relação. É preciso respeitar a si mesmo e pensar formas de mudar ou melhorar a situação. Como não se pode mudar o outro, faz-se necessário que essa mudança comece pela própria pessoa.

Como o ser humano é um eterno aprendiz em matéria de relacionamento, existe a necessidade de buscar alguém para compartilhar os mais diversos momentos da vida. Cada relação é única, imprevisível e exige constante evolução, transformação e superação de obstáculos. A simples presença física do parceiro não satisfaz a necessidade e desejo de estar com alguém. É muito mais que isso, é a satisfação pessoal de projeções existente na relação com a pessoa idealizada. Sabe-se, portanto, que as necessidades afetivas se encontram aquém ou além da atração física, pois a escolha do pessoa amada se dá através de influências inconscientes e instintivas.

Na relação amorosa ocorre o encontro de pessoas distintas e únicas, isso porque cada pessoa cresce num ambiente diferente, com estímulos diferentes, tem sua própria história e é singular na forma como vê, sente e reage. Embora em alguns aspectos se pareçam, cada um é essencialmente distinto. Contudo, deve-se ter a despretensão de achar que se conhece e/ou conhece o outro completamente, pois o ser humano vive um constante processo de desenvolvimento e transformação. Saber que a pessoa que amamos precisa ser conhecido o tempo todo, ajuda na compreensão de tantas dificuldades que surgem nos relacionamentos.

Para que uma relação seja satisfatória e estável necessita de investimento afetivo, valorização do outro e dos seus sentimentos, capacidade de compartilhar angústias e anseios, bem como visualização dos conflitos existentes como oportunidade de desenvolvimento pessoal, ou seja, busca constante pelo autoconhecimento. Muitas vezes, o ser humano é levado a agir impulsionado por seu inconsciente, tendo a impressão de que sabe o que faz, mas na verdade há um conhecimento incompleto e insuficiente de si próprio e dos motivos que o fazem agir. Nesse contexto, quando a pessoa está apaixonada, tende a acreditar que encontrou sua “alma gêmea” capaz de satisfazer todas suas aspirações amorosas. No entanto, são projeções inconscientes da própria pessoa na pessoa amada. Isto é, cada indivíduo projeta no outro características de sua própria personalidade, o que determina uma visão irreal do parceiro, ou seja, ele enxerga no outro características que na realidade são suas e não da pessoa com a qual se relaciona. As reais características do parceiro vão estar obscurecidas pelas expectativas e ilusões de sua imaginação.

Com o decorrer do tempo, a projeção sobre a pessoa idealizada começa ser retirada e o outro começa a surgir. Dessa forma, cada parceiro começa a ver o outro de uma forma mais real, identificando elementos que tinham passado despercebido. Essa confrontação origina alguns conflitos que terão influências no relacionamento. Porém, sabe-se que é uma etapa de fundamental importância para a relação, pois determinará a continuidade ou não do relacionamento, de modo mais profundo e maduro. Claro, que não se pode esquecer, que a maturidade psicológica e o autoconhecimento de cada indivíduo também tem grande parcela de contribuição na tomada dessa decisão. Portanto, faz-se necessário se conhecer e, também, dar oportunidade e espaço para que o parceiro se “revele”. Dessa forma, a compreensão da dinâmica do relacionamento, torna-se mais compreensível, pois o ser humano precisa do outro para se conhecer e amadurecer.

Por ser dinâmico, o relacionamento, muitas vezes, pede mudanças, transformações e aprofundamento dos conflitos, demonstrando sinais de esgotamento. A experiência de viver requer que habilidades sejam desenvolvidas na direção da resolução de conflitos, porque estes são inevitáveis. A relação amorosa traz a oportunidade de um aprendizado contínuo, sobre o outro e sobre si mesmo, diante das experiências agradáveis, mas também através dos empecilhos que vão surgindo.

Para enfrentar os problemas e encontrar soluções é necessária muita criatividade. Rompimentos e reconciliações podem fazer parte desse processo e são, em grande parte dos casos, dolorosos. Porém, é preciso lembrar que cada relação é única, da mesma forma que cada indivíduo é único. Desse modo, a relação continuará em construção enquanto cada parceiro sentir que vale a pena investir na mesma.

Portanto, o relacionamento entre duas pessoas que se amam merece o trabalho individual de autoconhecimento, merece que cada um busque em si, em primeiro lugar. Se optarem pelo rompimento, terão uma estrutura interna capaz de superar o sofrimento causado por essas circunstâncias e, não se sentirão paralisados no medo de sofrer e de se entregar para um novo amor, na busca de um encontro feliz e satisfatório.




sexta-feira, 21 de maio de 2010

O BRINCAR ATRAVÉS DO TEMPO: UM PARADOXO ENTRE GERAÇÕES


O BRINCAR ATRAVÉS DO TEMPO: UM PARADOXO ENTRE GERAÇÕES

Sabe-se que o brincar é uma necessidade natural que ocupa um espaço significativo na vida de qualquer criança e se revela um instrumento essencial para o desenvolvimento integral da mesma. Contribui na construção da formação infantil, colocando a criança diante de suas habilidades intelectuais, emocionais, sociais e físicas. Sua importância e seus benefícios refletem-se diretamente em sua qualidade de vida.
O brincar é percebido, numa linguagem universal, como algo marcante e prazeroso, facilitador da liberdade de escolhas, através do qual a criança pode expressar-se livremente. Segundo Winnicott (1975) a brincadeira é universal, é própria da saúde, facilita o crescimento, conduz a relacionamentos e a liberdade de criação. O brincar se apresenta como uma forma de descobrir o mundo, organizar emoções, iniciar os primeiros relacionamentos, desenvolver capacidades como atenção, criatividade e imaginação, mantendo a criança ativa e participativa em seu meio social.
Entretanto, pesquisadores têm revelado que atualmente as crianças brincam pouco e que os pais não ajudam a mudar esse quadro. As brincadeiras se tornaram escassas na vida das crianças e isso pode comprometer o desenvolvimento infantil, pois a inteligência não é estimulada, valores não são ensinados, as crianças não são colocadas em contato com suas habilidades e dificuldades, a imaginação e a criatividade não são despertadas e nem há alívio de tensões. O brincar, desde muito cedo, é solitário, ou seja, as crianças se tornaram dependentes da televisão, vídeos e computadores. A interação da criança com outrem e a sua participação em seu meio social ficou prejudicada. O tempo livre delas agora é ocupado com cursos de línguas, balé, esportes, computação e uma série de atividades extracurriculares, que têm roubado o tempo de diversão das crianças.
Redin e Antunes (2005) apontam que a atividade lúdica é fundamental para o desenvolvimento físico, emocional e cognitivo da criança, pois é brincando com o mundo que ela aprende sobre ele e consegue desenvolver a imaginação, a criatividade, a atenção e a sociabilidade. Ao brincar, a criança lida com o faz-de-conta e com o simbólico. Observa-se que a maneira de lidar com esse faz-de-conta, no ato de brincar, vem sofrendo transformações com o passar do tempo, de acordo com cada geração.
Algumas das brincadeiras perpassam por gerações, como o brincar de boneca, de casinha, de escola e o jogo de bola. Porém, hoje essas brincadeiras receberam modificações devido ao avanço tecnológico, tornando-as sofisticadas e possuindo inúmeras opções de escolha. Na infância dos pais os brinquedos eram mais simples e estes, na maioria das vezes, eram montados pelas próprias crianças ou por seus familiares, aproveitando os recursos oferecidos pela natureza. Atualmente as crianças encontram os brinquedos já fabricados, a oferta e os estímulos são constantes, diversificados e atrativos, oferecendo às crianças um mundo mágico, de encantamento e sonhos. Entretanto, diferente de seus pais, elas não utilizam sua criatividade para fabricá-los. Eles já vêm “prontos”.
Existem também aquelas brincadeiras que permanecem inalteradas ao longo do tempo, conservando e reproduzindo uma cultura própria do cenário infantil como, por exemplo, as brincadeiras de correr, de pegar, pular corda, amarelinha e andar de bicicleta, entre outras. Também se encontram aquelas que são próprias de cada geração, que fazem referência à determinada época, sociedade e cultura. Na infância dos pais as brincadeiras ao ar livre eram muito comuns, eles subiam em árvores, brincavam no mato, pescavam, nadavam em rios, tinham brincadeiras específicas como o caçador, bola de gude etc. Nos dias atuais as crianças convivem num cenário diferente, pois permanecem por mais tempo dentro de suas casas, são privadas de um convívio mais direto com a natureza e com os seus pares devido ao crescimento desenfreado da cidade e aos perigos nela existentes. Como conseqüência dessa realidade e da disseminação acelerada dos avanços tecnológicos, as crianças acabam rodeadas de uma infinidade de aparelhos eletrônicos, entre eles televisão, videogame, playstation, dvd, computador e internet, tornando o brincar em algo artificial quando utilizado em demasia.
Fazem parte da infância atual e está na preferência das crianças os brinquedos que possuem todo um aparato tecnológico, que reproduzem a vida adulta e tudo o que dela faz parte em miniaturas, que estão disponíveis em vários modelos, formas e tamanhos. Mas se fazem presentes também os jogos tradicionais, os quais surgiram antigamente e continuam sendo praticados e aprendidos a cada nova geração.
Quanto ao local destinado ao brincar, pais e filhos concordam que atualmente as crianças o realizam em espaços cada vez mais restritos, como em suas próprias casas, na casa de parentes ou locais fechados, principalmente no que se refere às meninas. Os meninos, entretanto, também utilizam a rua para desenvolverem suas brincadeiras, reforçando questões ligadas e identificadas ao gênero. O fato de permanecerem em locais fechados ou sob a supervisão dos pais se deve aos perigos que a rua oferece e por ser mais movimentada em relação à época em que os pais eram crianças. Quando comparada com a infância dos pais, a diferença constatada se deve ao fato de que os locais utilizados pelos pais quando crianças em suas brincadeiras eram basicamente ao ar livre, em contato direto com seu ambiente natural. Eles não tinham restrições como as hoje encontradas na infância de seus filhos.
O tempo dedicado ao brincar das crianças vem acompanhado e precisa ser dividido com as atividades escolares e as obrigações com atividades do lar. A grande maioria dos pais acredita que seus filhos têm tempo suficiente para brincar e que esse tempo se torna maior aos finais de semana, quando os filhos não possuem essas obrigações. As crianças também concordam com esse dado, sendo que uma minoria delas diz não ser suficiente esse tempo e que gostariam de poder brincar mais. Já quando se fala da infância dos pais, estes ficam divididos. Alguns afirmam que o tempo que tinham para brincar era suficiente e outros revelam que o tempo era reduzido para que pudessem desenvolver essa atividade. Eles também precisavam dividir seu tempo entre o brincar e outras atividades, como escola, atividades de casa e cuidar de irmãos enquanto seus pais trabalhavam.
Percebe-se que o tempo livre das crianças precisa ser dividido entre o brincar e os outros afazeres, os quais não deixam de ser importantes na vida de qualquer indivíduo e que, embora isso aconteça, a grande maioria dos sujeitos pesquisados consegue adequar o tempo entre essas atividades.
Quanto à companhia ao brincar, entre as meninas é mais comum que os pais participem de suas brincadeiras e que brinquem sozinhas, em relação aos meninos. Porém, ambos os sexos têm preferências por brincadeiras que envolvam a participação de uma companhia, geralmente de seus pares, colegas e amigos. Também é comum a brincadeira com irmãos e primos. Na infância dos pais das crianças, poucos fazem referência à presença de seus pais envolvidos ou participando das brincadeiras por eles praticadas, diferentemente do que se observa nas crianças de hoje. Eles geralmente brincavam em grupos com os irmãos, vizinhos e primos, entre outros, pois as famílias eram mais numerosas, o que facilitaria o brincar em grupo. Nota-se que em ambos os grupos a brincadeira com seus pares ou na companhia de alguém é amplamente valorizado.
Os benefícios possibilitados pelo brincar são inúmeros, sendo que todos os pais afirmam que o mesmo é muito importante para o desenvolvimento da criança. Torna-se um instrumento essencial para a aprendizagem e para a interação em grupos, proporcionando felicidade, alegria, calma e paciência. Através dele é possível extravasar energia, melhorar coordenação e um meio de obter uma vida saudável.
Para tanto, constata-se que existem semelhanças e diferenças marcantes entre as duas gerações, sendo o brincar universal mas também específico de cada grupo e de cada geração, e varia no tempo. O que não varia é o papel por ele exercido, pois ele é o facilitador do desenvolvimento integral das crianças. Brincar é uma necessidade do ser humano, e através dele a criança tem oportunidade de organizar e explorar seu mundo, experimentar-se em diversas situações através do faz-de-conta, do simbólico e da convivência em sociedade, adaptando-se e incorporando-se a vida real. É no brincar que a criança se sente impulsionada a criar, a fantasiar, a imaginar. É a linguagem utilizada pela criança através do qual vai se construindo como um ser ativo, que busca e constrói seu próprio tempo e espaço em uma sociedade que está em constante transformação.



NA HORA DA ESCOLHA

NA HORA DA ESCOLHA

“Conhece-te a ti mesmo”

Um teste de múltiplas escolhas. Assim poderíamos definir a vida, como um eterno vestibular, em que sempre buscamos alternativas certas, aquela que contará pontos essenciais para que você tenha um bom desempenho final. Cada hora é hora de decisão, hora de escolha, hora de refletir.

Escolher uma profissão, uma carreira a ser seguida, também faz parte do roteiro de questões deste exame, e nem sempre essa escolha é fácil. E como não bastassem as dúvidas, as cobranças da família, dos amigos e todas as pessoas com as quais dividimos o nosso dia-a-dia. E uma cobrança maior: a SUA. “Que profissão, que carreira seguir?”

Primeiramente, manter a cabeça no lugar e não escolher sem pensar já é um grande passo para quem busca dar os primeiros passos para uma carreira promissora. Número de profissões, número de candidatos por vaga, exigências de mercado de trabalho, globalização, desemprego, etc., são fatores que com certeza vão e vem pelo nosso pensamento no momento de decidir por um determinado curso universitário, concurso técnico ou mesmo pela abertura de um negócio próprio. Tudo pesa, inclusive a vontade extrema de fazer aquilo que você gosta. Mas do que você gosta? Como escolher uma profissão ou uma carreira?

VOCAÇÃO?

Talvez, mais importante que buscar uma essência em nós para determinado trabalho seja “elaborar um projeto de vida”, buscando sempre desenvolver a nossa capacidade de exercer qualquer atividade.

REFLEXÃO:

Escolher as possibilidades reais, posicionando sobre os pontos negativos e positivos de cada alternativa, essa é uma boa forma de refletir e de buscar a decisão.

EXPERIÊNCIA ESCOLAR = POSSÍVEL PROFISSÃO?

Nem sempre. Às vezes, somos muito influenciados por um professor do qual temos grande simpatia e/ou consideramos que o curso universitário ou a carreira irá se assemelhar de mais com a matéria que gostamos. É importante buscar a carreira que se quer seguir.

DAR UM TEMPO E ESPERAR A DECISÃO CHEGAR?

Péssima idéia. Nada de passividade. A escolha certa de uma profissão depende principalmente de quem vai buscá-la, procurando informações sobre diversas carreiras, entrevistando ou dialogando com profissionais da área pretendida, autoconhecendo suas habilidades e sua história pessoal e traçando um bom projeto de vida.

“OLHAR NO ESPELHO”

Conhecer-se é imprescindível para determinar uma profissão para seguir. Mas tenha sempre em vista que esta escolha não delimitará para sempre a sua vida. É sim grande passo, que abrirá portas para novas escolhas e decisões.

Dinheiro?

É preciso ver muito além do mercado. Profissões prestigiadas e que podem dar dinheiro são sempre as mais procuradas e que apresentam um grande número de desistências nos primeiros anos de faculdade. Novamente vale refletir antes de buscar a escolha.

Abrir o leque

É importantíssimo aprofundar as informações que você tem sobre as mais variadas profissões, buscando sempre varias fontes de pesquisa: manuais, internet, jornais, revistas, etc. Avalie e faça também uma relação de escolas que realizam os cursos, avaliando também dados como: distância, tempo, carga horária, notas no provão, entre outros. Visite-as, se possível, procurando observar instalações, laboratórios, horários de funcionamento da biblioteca, etc.

O mundo é você

Já se foi o tempo em que o mercado buscava apenas profissionais com diplomas. Hoje, o profissional tem de ser versátil e estar realmente ambientado com a profissão a ser exercida, buscando sempre o seu aprimoramento. Para isso, precisa estar realmente integrado a função que desempenha. Assim é importante definir muito bem a sua carreira.




segunda-feira, 21 de setembro de 2009

PSICOTERAPIA: Quando procurar um psicólogo?


A psicoterapia tem por objetivo auxiliar o indivíduo a lidar com suas emoções e com seus conflitos psicológicos. Busca aliviar, compreender e predizer perturbações e desajustamentos individuais, bem como, promover o desenvolvimento e a adaptação pessoal. Quanto mais cedo se procura ajuda, mais cedo se diagnostica e se trata o problema.
Todo e qualquer comportamento, sentimento, emoção, pensamento que estejam a atrapalhar de alguma forma a vida do indivíduo em qualquer área; seja ela conjugal, social, familiar, escolar e/ou profissional, merecem uma investigação e uma intervenção psicológica.
A psicoterapia é um caminho de enfrentamento dessas questões que incomodam. É um cuidado que se tem com a saúde emocional, para que se possa responder adequadamente a este processo. Sua finalidade não visa eliminar todos os problemas de nossas vidas, mas favorecer o fortalecimento do paciente, contribuindo para que a resolução do conflito seja mais tranqüila possível.


BENEFÍCIOS:

· Entender os conflitos e aliviar a pressão causadora de sofrimento.

· Cuidar de problemas específicos que incomodam no dia-a-dia.

· Compreender atitudes e conteúdos internos.

· Aprender a lidar com seus limites, sentimentos e frustrações.

· Reconhecer suas qualidades e utilizá-las adequadamente.

· Auxiliar na modificação de comportamentos e hábitos prejudiciais.

· Compreender os próprios sentimentos e aceitá-los.

· Falar sobre angústias, medos e dificuldades.

· Construção da auto-imagem e resgate da auto-estima.


Silvia Damini - Psicóloga Clínica e Organizacional

segunda-feira, 27 de julho de 2009


Por: Silvia Damini[1]

CUIDANDO DO CUIDADOR

“O ato de cuidar significa ousadia; ternura; solidariedade e capacidade humana de reciprocidade”.

Mundialmente, temos nos deparado com um novo panorama no que se refere à expectativa de vida da população. O envelhecimento humano assume proporções e demandas, das quais a maioria de nós não se sente preparado para lidar e assumir. A responsabilidade recai não somente para a família, mas também para toda uma sociedade, na busca em proporcionar melhores cuidados, condições e qualidade de vida às pessoas.
O ato de cuidar significa ousadia; ternura; solidariedade e capacidade humana de reciprocidade. Porém, muitas vezes, o ser “cuidador” (ou seja, aquele que cuida da dor do outro que foi atingido) acaba atingindo também, todos aqueles que com ele vivem. Muitos são os sentimentos e afetos que se entrecruzam nessa relação, pois apesar das recompensas emocionais ao acolher as constantes solicitações daquele que necessita, até a pessoa mais dedicada e amorosa pode ficar frustrada, ansiosa e viver sob tensão de não saber se está atendendo às expectativas.
O cuidado não se limita apenas ao corpo físico. É necessário, observar e levar em conta o estado psicológico, ou seja, emoções e sentimentos, que envolvem o cuidador e a pessoa a quem se destina os cuidados. Portanto, um aspecto importante a ser levado em consideração, é o apoio social necessário para com os cuidadores. Na maioria das vezes, as famílias sozinhas não conseguem dar conta de um atendimento adequado e satisfatório, por isso, torna-se importante uma rede de apoio. O desgaste, a sobrecarga e a vida que acaba sendo deixada de lado são alguns dos estressores decorrentes dessa relação. Torna-se fundamental aprender que cuidar não significa fazer pelo outro, mas ajudar o outro quando ele necessita.
[1] Psicóloga Clínica e Organizacional, formada pela Universidade de Passo Fundo (UPF)